top of page

Split Payment - Reforma Tributária

  • Foto do escritor: FpM
    FpM
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

A Reforma Tributária começou os testes de implantação em 2026, sendo que há um termo em inglês que passou a ganhar destaque entre empresários e profissionais da área de Controladoria/Financeira, o Split Payment (em livre tradução, pagamento dividido). Trata-se de uma mudança significativa na forma como o governo recolherá os impostos, com forte impacto na gestão de caixa das empresas.


Afinal, o que é o Split Payment?

Com o Split Payment, o imposto é separado e recolhido automaticamente no exato momento em que o cliente paga (seja por Pix, cartão ou boleto).


Se a alíquota da operação fosse de 15%, por exemplo, em uma venda de R$ 1.000:

  • R$ 850,00 vão para a conta bancária da sua empresa.

  • R$ 150,00 vão seguir para o governo.

De forma geral, a empresa passa a receber o valor líquido, descontado dos impostos sobre faturamento (IVA), no momento em que o cliente paga. 

split payment na reforma tributária


Como está a implantação?

  • 2026 é o ano de teste, com uma fase de homologação com uma alíquota simbólica de 1% (0,9% de CBS + 0,1% de IBS) para calibrar o sistema.

  • Em 2027, o mecanismo entra em vigor de forma efetiva para a CBS, mas de início, como algo facultativo e limitado a transações entre empresas (B2B).

  • O IBS segue um caminho mais longo, com substituição gradual do ICMS e do ISS, projetada até 2032/2033.


A base legal está na Lei Complementar 214/2025, com ajustes trazidos pela LC 227/2026 e detalhamento técnico no Decreto 12.955/2026. Em jun/26, a Receita Federal e Comitê Gestor do IBS publicaram o manual técnico e a documentação ("Swagger") que os bancos e fintechs precisam seguir para plugar seus sistemas na plataforma pública. Isso significa que, tecnicamente, a engrenagem já saiu do papel, mas ainda está em fase de ajuste fino.


Impacto no Capital de Giro e nas Vendas a Crédito

A gestão do dinheiro no dia a dia é o ponto em que o Split Payment mais afetará as empresas, trazendo impactos tanto negativos quanto positivos.


1. Fim do "Empréstimo Gratuito" (Desvantagem no Caixa)

No modelo tributário ainda em vigor em 2026, no caso de pagamento à vista, o imposto retido nas vendas ao longo do mês faz parte do caixa da empresa, seria um "capital de giro informal". Esse saldo ajuda a pagar fornecedores, aluguel ou a folha de pagamento antes do dia do vencimento do imposto. Com o recolhimento automático na hora do pagamento, essa "folga" temporária de caixa desaparece.


2. Proteção Contra a Inadimplência de Clientes (Grande Vantagem!)

Aqui está um dos melhores pontos do novo sistema: no modelo tradicional, ao emitir uma nota fiscal, é preciso recolher o imposto daquela nota no mês seguinte, independentemente do pagamento pelo cliente. No novo modelo, se o cliente ficar inadimplente, o imposto simplesmente não é recolhido.


3. Como fica quem vende a crédito ou parcelado?

  • A empresa paga apenas no recebimento

    Se a empresa vender em 10 vezes no cartão, o imposto será "fatiado" e descontado mês a mês à medida que cada parcela for paga.

  • Alerta na Antecipação de Recebíveis

     Se a empresa costuma antecipar as parcelas futuras na maquininha ou no banco para gerar caixa hoje, a retenção do imposto ocorrerá sobre o valor efetivamente antecipado, reduzindo o valor líquido que a empresa recebe na operação.


E as pequenas empresas, o Simples Nacional e o MEI?

  • O MEI (Microempreendedor Individual) continuará pagando o seu valor fixo mensal pela guia DAS-MEI.

  • Para o Simples Nacional, a Reforma Tributária o manteve como um regime especial. As empresas do Simples continuarão recolhendo seus impostos de forma unificada pelo DAS.


Ponto de atenção para empresas optantes do SIMPLES
 Empresas que estão no regime regular, podem preferir comprar de empresas que operam no Split Payment para receber o crédito do imposto na hora.
 
 O governo prevê uma opção para que empresas do Simples possam escolher recolher os novos impostos (IBS/CBS) no modelo geral caso queiram manter a competitividade com grandes compradores.

Como se preparar para essa transição?

O Split Payment exige reorganização financeira, entre eles:

  • Revisar as margens de lucro

     Calcule seus preços considerando que o valor que entra no dia a dia é estritamente o valor líquido da venda.

  • Projetar o Fluxo de Caixa

     Mapear quanto do saldo atual depende do prazo de vencimento do imposto para não ter surpresas na transição.

  • Atualizar o Sistema de Gestão (ERP)

    Garantir que as notas fiscais e cadastros de produtos estejam com as alíquotas corretas para evitar retenções indevidas pelas redes bancárias e maquininhas.


Com planejamento e ajuste de caixa, a sua empresa passará por essa mudança sem sobressaltos.

Fonte da imagem: IA

Comentários


bottom of page