O Novo Formato da DRE em 2027: Impacto da IFRS18
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A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), um dos relatórios mais consultadas por investidores, analistas e gestores, vai mudar de formato a partir de jan/27. Para quem trabalha com controladoria ou finanças corporativas, entender essas mudanças é essencial.
Embora o Brasil siga o padrão internacional (IFRS) de contabilidade desde as reformas da Lei das S.A. em 2007, a antiga norma dava liberdade para cada empresa organizar suas contas de receitas e despesas.
Para acabar com a falta de padronização e facilitar a comparabilidade, o comitê internacional publicou o IFRS 18 em abril/24. No mercado brasileiro, a regra foi traduzida como a norma NBC TG 51 e passa a ser obrigatória a partir de 01/jan/27, exigindo adaptação dos sistemas e relatórios gerenciais da empresas que se enquadram na nova norma.

Porte e perfil das empresas que se enquadram na norma (Escopo de Obrigação)
A nova regra não afeta todas as empresas. Se enquadram:
Companhias Abertas. Qualquer empresa que tenha ações ou títulos negociados na Bolsa de Valores (B3), independentemente do tamanho ou faturamento.
Empresas de Grande Porte (Capital Fechado). As Sociedades que, mesmo não tendo ações na Bolsa, possuem no ano anterior um ativo total superior a R$ 240 milhões OU uma receita bruta anual superior a R$ 300 milhões.
Entidades Reguladas como grandes fundos de investimento, bancos e seguradoras.
Ficam de fora as microempresas, pequenas empresas e a maioria das médias empresas, como aquelas que optam pelo Simples Nacional ou Lucro Presumido. Estas continuam seguindo normas simplificadas e específicas para PMEs, ficando dispensadas dessa mudança na DRE por enquanto.
A nova estrutura do DRE
Para as organizações obrigadas, a regra elimina a liberdade de organização. O IFRS 18 introduz 3 novas categorias* (Operacional, Investimento e Financiamento), que se somam às duas já existentes sem mudanças (Tributos e Operações Descontinuadas), totalizando 5 categorias.
Categorias em muitos textos são chamados de "gavetas".Categoria Operacional, que centraliza o resultado gerado estritamente pela atividade-fim da empresa.
Categoria Investimento, que separa os retornos de ativos mantidos de forma independente da operação principal (como o aluguel recebido de um imóvel próprio, resultados de participações societárias, venda de ativos de longo prazo, etc.).
Categoria Financiamento, que registra os custos de juros de empréstimos, financiamentos e passivos de arrendamento obtidos pela empresa para se financiar.
Um ganho técnico da nova estrutura é que o Lucro Operacional passa a ser um subtotal obrigatório e igual para todos. A norma exige subtotais padronizados.
Regra de alocação das categorias por tipo de negócio
O conteúdo de cada categoria muda de acordo com o modelo de negócio da empresa.
Empresas Comerciais e Industriais seguem a lógica tradicional. Vendas entram na categoria operacional, aluguel recebido entra em investimento e juros pagos entram em financiamento.
Bancos e Instituições Financeiras os juros cobrados dos clientes saem da categoria financeira e entram direto na categoria operacional, pois o negócio é "emprestar dinheiro". Da mesma forma, os juros pagos aos correntistas (captação) viram despesa operacional.
Holdings e Empresas de Participação os dividendos e retornos recebidos dessas participações deixam de ser "investimento" e passam a preencher a categoria operacional, pois o foco é gerenciar outras empresas
Impactos na Controladoria e Benefícios esperados da mudança
Para a área de controladoria, a transição é o momento de adaptar o plano de contas, os manuais de contabilidade, adequar os relátorios gerenciais, treinar as equipes e garantir que a reclassificação das contas respeite a essência sobre a forma.
Mais do que uma mudança técnica, o novo DRE representa um avanço na transparência e comparabilidade dos resultados.
Impacto em empresas de médio e menor porte
É recomendado adaptar o relatório, independente da obrigatoriedade legal. A DRE mais transparente ajudar atrair investidores, obter crédito em grandes bancos ou melhorar sua governança.
E você? Já está adaptando para o novo modelo? Conte conosco nesta jornada.
Fonte da Imagem: WIX





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